A Varanda

Sei que recordarás os mais belos instantes,
a quentura do lar, o tom do entardecer,
mãe da recordação, amante das amantes!
No fim da tarde, à luz das brasas do carvão
e na varanda escura em rósea sombra imersa
tão doce era tua voz! Tão bom teu coração!
Eternamente vou lembrar nossa conversa
no fim da tarde, à luz das brasas do carvão.
Como é bonito o sol na tarde acalorada!
Como é profundo o céu e forte o coração!
Curvado sobre ti, rainha adorada,
aspirava do sangue o perfume são.
Como é bonito o sol na tarde acalorada!
A noite se fechava assim como uma flor.
Meus olhos no escuro os teus adivinhavam
e eu bebia o teu ar, ó veneno! ó licor!
Nas minhas doces mãos os teus pés cochilavam.
A noite se fechava assim como uma flor.
Sei a arte de ter de volta esses momentos,
reviver o passado imerso em teu calor.
Para que procurar os teus encantamentos
longe do colo doce e do seio de amor?
Sei a arte de ter de volta esses momentos!
As juras, os perfumes e os beijos sem fim
Poderão ressurgir das mais profundas mágoas
como os sóis que no céu renascem para mim
depois de se lavarem no fundo das águas?
-- Ó juras! ó perfumes! ó beijos sem fim!
Charles Baudelaire


2 Comments:
Oi, Drix, bem bonito esse poema!
P.S.: Ficou bonita também a nova grafia do meu blog ali ao lado. Está escrito em catalão ou em esperanto? Hehehehe... Beijo.
Boa noite, Drix
Passando para uma visita noturna, a boa surpresa de um Baudelaire logo na entrada.
Beijos
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